Como criar um Catálogo de Serviços inicial que realmente funciona

Criar um catálogo de serviços não precisa ser um projeto longo nem técnico demais. O foco, especialmente em empresas que estão começando, deve ser funcionalidade. O objetivo é documentar de forma simples o que a área de TI entrega, para quem entrega e em que condições. A complexidade virá naturalmente com o tempo, à medida que a organização amadurecer nos processos. O que importa é começar de forma organizada e compreensível.

Um catálogo de serviços é, essencialmente, uma ponte entre a TI e o restante da empresa. Ele mostra, com clareza, quais serviços estão disponíveis, quem é responsável por cada um e quais são os prazos e regras de atendimento. Também ajuda a alinhar expectativas e reduzir retrabalho. A seguir, veremos como dar os primeiros passos de forma objetiva, sem excesso de formalismo, mas com estrutura suficiente para funcionar de verdade.

Primeiro Passo: Definição do Escopo

O primeiro passo é entender o que será incluído no catálogo. O escopo delimita o que a TI vai oferecer oficialmente como serviço, diferenciando isso de tarefas internas ou operacionais.

Para um catálogo inicial, o ideal é começar com os serviços que já geram demanda recorrente. Normalmente, são aqueles pelos quais os usuários mais entram em contato com a equipe de suporte. Alguns exemplos:

  • Criação e exclusão de contas de usuário (acesso ao e-mail, ERP, CRM etc.)
  • Instalação de software padrão (Microsoft 365, antivírus, aplicativos corporativos)
  • Entrega de equipamentos (notebooks, monitores, periféricos)
  • Atendimento a incidentes (problemas de acesso, falhas em sistemas, lentidão de rede)
  • Solicitação de acesso remoto ou VPN
  • Atualização ou desbloqueio de senha

Esses serviços representam o núcleo operacional da TI e já permitem criar um catálogo útil e utilizável. Eles são fáceis de descrever e envolvem rotinas conhecidas pelos técnicos. Começar com esse conjunto ajuda a construir uma base sólida antes de expandir para serviços mais complexos, como gestão de mudanças, projetos ou integrações.

Também é importante decidir a abrangência inicial. Empresas que estão começando devem focar na TI antes de incluir áreas como RH, Financeiro ou Facilities. Assim, o catálogo nasce com um escopo controlado e a estrutura pode ser replicada depois, quando outros departamentos quiserem adotar o mesmo modelo.

Por fim, defina o nível de detalhe. Nesse estágio inicial, cada serviço precisa conter apenas três informações básicas:

  1. O que é entregue;
  2. Para quem é entregue;
  3. Quem é responsável pela execução;

Esse conjunto já é suficiente para comunicar o essencial e estruturar a documentação de forma prática.

Segundo Passo: Organização por Categorias

Depois de definir o escopo, é hora de organizar os serviços de maneira lógica. As categorias são o que tornam o catálogo navegável. Elas agrupam serviços semelhantes e facilitam tanto a consulta do usuário quanto o gerenciamento pela equipe de TI.

Um modelo inicial de categorização pode ser o seguinte:

  • Acessos e Contas:
    • Criação de usuário em sistemas
    • Redefinição de senha
    • Liberação de VPN
    • Solicitação de acesso a pastas de rede
  • Equipamentos e Dispositivos:
    • Solicitação de notebook ou desktop
    • Substituição de periféricos
    • Configuração de impressoras
    • Devolução de equipamentos
  • Suporte Técnico e Incidentes:
    • Problemas de login
    • Sistema travando ou lento
    • Falhas de conexão à internet
    • Dificuldades em impressões ou arquivos compartilhados
  • Sistemas e Aplicações:
    • Solicitação de novo relatório
    • Inclusão de campos em sistema interno
    • Alteração de perfil de acesso
    • Dúvidas sobre funcionalidades
  • Infraestrutura e Rede:
    • Instalação de ponto de rede
    • Solicitação de Wi-Fi temporário
    • Configuração de VPN corporativa

Essa estrutura cobre a maioria das demandas comuns em um ambiente corporativo e evita duplicações. O ideal é que cada serviço pertença a uma categoria clara, com um nome fácil de compreender pelo usuário final. Por exemplo, “Solicitação de Acesso ao ERP” comunica melhor do que “Criação de conta SAP”, pois usa a linguagem do negócio, não do técnico.

Para validar a clareza das categorias, é útil fazer um teste rápido com colaboradores de outras áreas. Se eles conseguem entender o que cada item significa sem explicações adicionais, o catálogo está no caminho certo.

Outra boa prática é limitar o número de categorias no início. Cinco ou seis blocos bem definidos são suficientes para uma versão funcional. À medida que o uso crescer, o catálogo pode ser refinado, subdividido e ampliado com mais detalhes, sem perder a lógica original.

Terceiro Passo: Definição de Responsáveis e Grupos

Cada serviço precisa ter um responsável claro. Isso evita dúvidas sobre quem deve agir quando uma solicitação chega. O responsável é a área, equipe ou pessoa que garante a entrega do serviço, mesmo que outras participem do processo.

Na prática, o ideal é associar cada serviço a um grupo executor (como “Suporte Técnico” ou “Infraestrutura”) e, quando necessário, a um responsável de aprovação (por exemplo, o gestor do solicitante).

Exemplos:

  • Serviço: Criação de Conta de E-mail
    • Responsável: Infraestrutura de TI
    • Aprovador: Gestor da área do colaborador
  • Serviço: Solicitação de Equipamento
    • Responsável: Suporte Técnico
    • Aprovador: RH ou Financeiro (dependendo da política interna)

A clareza sobre a responsabilidade operacional e a aprovação reduz gargalos e garante que o processo siga o fluxo correto.

Quarto Passo: Definição de Prazos e SLAs

Definir prazos é fundamental para estabelecer expectativas realistas. Mesmo em um catálogo inicial, é importante indicar o tempo de resposta e o tempo de solução estimado para cada serviço. Isso traz previsibilidade e ajuda a mensurar o desempenho do atendimento.

  • Tempo de resposta: quanto tempo leva para o chamado ser reconhecido e atribuído.
  • Tempo de solução: prazo médio até a conclusão da solicitação.

Exemplos:

  • Redefinição de senha: resposta em até 1 hora útil e solução em até 4 horas úteis.
  • Solicitação de notebook: resposta em até 4 horas úteis e solução em até 3 dias úteis.

Os prazos podem ser ajustados com base na capacidade da equipe e na criticidade do serviço. O importante é documentar de forma coerente com a realidade operacional.

Quinto Passo: Canais de Solicitação e Pré-requisitos

Um catálogo eficiente indica como o usuário deve solicitar o serviço e quais condições devem ser atendidas antes da solicitação. Isso evita pedidos incompletos e retrabalho.

Os canais mais comuns são:

  • Portal de autoatendimento (como GLPI, OTRS, ou sistema interno);
  • E-mail corporativo;
  • Telefone de suporte;
  • Atendimento presencial, quando aplicável.

Os pré-requisitos variam conforme o serviço. Podem incluir autorizações, formulários ou informações específicas.

Exemplos:

  • Criação de Acesso ao ERP: requer aprovação do gestor e matrícula ativa no sistema de RH.
  • Solicitação de Equipamento: requer aprovação do gestor imediato e disponibilidade em estoque.

Deixar essas informações explícitas torna o catálogo mais prático, evita atrasos e melhora a comunicação entre a TI e os usuários.

Boas Práticas para um Catálogo Funcional

Um catálogo de serviços é um instrumento vivo, que precisa evoluir com a operação da empresa. O segredo não está apenas em documentar, mas em manter a clareza, a consistência e a utilidade prática ao longo do tempo. Algumas boas práticas ajudam a garantir que o catálogo realmente funcione e continue relevante.

Use linguagem simples e orientada ao usuário
Evite jargões técnicos e termos internos. O catálogo não é feito para a equipe de TI, mas para quem utiliza os serviços. Frases curtas e nomes autoexplicativos ajudam o usuário a identificar rapidamente o que precisa.

  • Prefira: “Solicitação de Acesso ao Sistema Financeiro”
  • Evite: “Criação de usuário módulo ERP-FIN”

Padronize o formato das descrições
Todos os serviços devem seguir o mesmo padrão de informações. Isso cria uniformidade visual e facilita a manutenção. Um bom modelo sempre contém nome, descrição, responsável e prazo. A padronização comunica profissionalismo e reduz dúvidas.

Comece pequeno e expanda com o tempo
Não é necessário listar todos os serviços logo na primeira versão. Comece com o essencial, os mais frequentes e fáceis de formalizar, e adicione novos à medida que a equipe se organiza. Um catálogo inicial com vinte bons serviços é mais útil do que um extenso, porém inconsistente.

Revise periodicamente
Serviços mudam, tecnologias são substituídas e responsabilidades podem ser redistribuídas. Estabeleça uma rotina de revisão trimestral ou semestral para validar se o catálogo ainda reflete a realidade. Essa manutenção contínua mantém a credibilidade do documento.

Alinhe com as áreas envolvidas
Cada serviço tem impacto em diferentes partes da empresa. Antes de publicar, valide o conteúdo com os gestores ou equipes relacionadas. Isso evita divergências, reforça a legitimidade do catálogo e garante que todos compreendam suas responsabilidades.

Dê visibilidade e incentive o uso
De nada adianta um catálogo bem feito se ninguém souber onde encontrá-lo. Divulgue o acesso no portal corporativo, intranet ou ferramenta de chamados. Oriente os usuários sobre quando e como utilizá-lo. Um catálogo bem comunicado reduz chamados mal direcionados e aumenta a eficiência do suporte.

Monitore o uso e busque feedback
Observe quais serviços são mais utilizados e quais raramente são acessados. Essa análise ajuda a ajustar o conteúdo e priorizar melhorias. Além disso, ouvir os usuários sobre clareza e facilidade de uso fornece insights valiosos para aprimorar a estrutura.

Mantenha coerência entre o catálogo e a operação real
O catálogo deve refletir o que a TI consegue entregar, não o que gostaria de oferecer. Serviços que não podem ser cumpridos dentro dos prazos propostos enfraquecem a confiança no documento. É melhor ter menos itens, mas executáveis, do que um catálogo cheio de promessas inviáveis.

Em resumo, o catálogo de serviços é um instrumento de transparência. Ele mostra o que a TI faz, em quanto tempo e sob quais condições. Quando bem elaborado e mantido, deixa de ser apenas um documento e se transforma em uma ferramenta de gestão e credibilidade, fortalecendo a relação entre a tecnologia e o negócio.

Precisa de Ajuda?

Se a sua empresa ainda não tem um catálogo de serviços estruturado, ou se o que existe hoje não reflete mais a operação real, esse é o momento de agir. Um catálogo bem construído melhora a eficiência, reduz retrabalho e transforma a relação entre TI e negócio.

A I9aTech oferece consultoria especializada em estruturação de catálogos de serviços, ajudando sua empresa a mapear, organizar e documentar tudo de forma prática e alinhada às boas práticas do ITIL. Nosso trabalho vai além da teoria: entregamos um catálogo funcional, integrado à realidade da sua operação e pronto para ser aplicado em ferramentas como o GLPI ou OTRS.

Se você quer criar ou revisar seu catálogo de serviços, preencha o formulário no topo do site e nossa equipe entrará em contato para entender seu cenário e apresentar a melhor forma de ajudar. É o primeiro passo para transformar a gestão de serviços da sua empresa em algo realmente eficiente e sustentável.

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